Uma doença silenciosa, muito comum entre as mulheres e que atinge a marca de 22% de novos casos a cada ano ainda causa muitas dúvidas: o câncer de mama. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o segundo tipo mais frequente da moléstia no mundo ainda tem a marca de grande número de mortes, possivelmente porque é diagnosticado em estágios avançados. Mas quais são os reais motivos do aparecimento dos tumores? Como prevenir e tratar?
O câncer de mama ocorre por conta da multiplicação exagerada das células do tecido mamário, formando então um tumor maligno.
De acordo com o Inca, os sintomas do câncer de mama são mudanças na pele que recobre a mama, como retrações, inclusive no mamilo, ou um aspecto parecido com casca de laranja. Outra característica é secreção no mamilo e o mais comum e palpável é o caroço no seio, com ou sem dor, assim como na axila.
O mastologista Henrique Alberto Pasqualette, diretor do Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher (Cepem) no Rio de Janeiro, ressalta que muitas pacientes reclamam de dores nas mamas e já acreditam que podem estar desenvolvendo câncer, contudo, ele afirma que raramente esse desconforto está relacionado à doença.
Segundo o médico, caso o câncer de mama seja identificado no seu início, a chance de cura beira os 100%. A forma mais eficiente de diagnosticar o problema é fazendo sempre o exame de mamografia aos 40 anos. A partir de então, deve ser realizado uma vez por ano.
Mas e o famoso auto-exame tão divulgado na mídia, serve até que ponto? Ainda de acordo com o médico, esse procedimento deve ser feito todos os meses, na mesma época, depois da menstruação. É importante verificar também a pele dos seios, se ela está enrugada ou avermelhada. Contudo, é um método que só detecta nódulos maiores que dois centímetros, dessa forma, caroços menores podem não ser percebidos, contribuindo para a evolução da doença. Para se ter uma ideia, um tumor leva de quatro a 10 anos para chegar a um centímetro, portanto, somente a mamografia é capaz de detectá-lo.
Mesmo com auto-exame e com mamografia, muitas vezes, os tumores passam despercebidos. O mastologista informa que 15% a 30% dos casos de câncer de mama não são acusados pela mamografia convencional, pois podem estar camuflados dentro do tecido mamário normal, não permitindo então a sua visualização. Dessa maneira, a mamografia digital, ultra-sonografia mamária ou ressonância magnética podem ser indicadas.
Para saber se o tumor é maligno, é feita uma biópsia através de cirurgia ou punção percutânea.
Muitas mulheres ficam apavoradas quando se fala em mamografia, mas de acordo com Pasqualette, não há motivos para tal. Ele diz que há no mercado a Tomossíntese em 3D, que dura apenas alguns segundos e permite ao médico verificar o tecido mamário por diversos ângulos, o que significa um resultado de até 90% de acerto. A mamografia convencional dura em média 30 minutos e a digital, cinco.
É neste ponto que existem dúvidas e mais dúvidas quanto à probabilidade de ter o câncer de mama, que acomete tanto homens como mulheres, embora o índice no sexo masculino seja de 1%.
Conforme informações do Inca, embora a genética responda apenas por 10% dos casos da doença, o fator hereditário que pode influenciar no surgimento dela. Dessa forma, mulheres com mãe, filha ou irmã que já tiveram a doença antes dos 50 anos devem focar em exames efetuados pelo médico no consultório, auto-exame e mamografia, segundo o diretor do Cepem. Esse grupo deve procurar um especialista já a partir dos 35 anos.
Outra situação que também deve reter atenção é quando à obesidade. O especialista afirma que o excesso de gordura no corpo representa 20% de chances a mais de desenvolver a doença. Os estudos apontam que o tecido gorduroso produz mais hormônio feminino, que denota para um excesso de estrogênio estimulando multiplicação de células.
Por falar em hormônios, muitas mulheres têm desconfiança quanto ao uso de pílulas anticoncepcionais. Segundo o Inca, ainda não existe uma confirmação da ligação entre a utilização do remédio com o desenvolvimento do câncer de mama. O que acontece é que aquelas que usaram altas dosagens de estrogênio por muito tempo e anticoncepcional em idade precoce podem ter predisposição.
O mastologista informa que quanto mais velha for a mulher, maior a probabilidade de ter câncer de mama, segundo ele, 60% da incidência estão naquelas acima de 60 anos e a partir dos 75 anos o risco da doença acontecer diminui.
“Melhor prevenir do que remediar”. Como diz o velho ditado, o caminho mais adequado para ficar bem longe do câncer de mama é tomando algumas medidas de prevenção. Alguns feitos básicos podem livrar qualquer pessoa dessa doença.
Segundo o Inca, um passo importante é manter a distância da obesidade, por meio de alimentação balanceada e muitos exercícios físicos, pois como citado anteriormente, o peso em demasia aumenta a chance de desencadear a doença.
Um outro fator de risco para o surgimento de tumor na mama é o consumo de álcool até mesmo de forma moderada, assim como se expor a radiações ionizantes antes dos 35 anos. Também é recomendando não fumar. A amamentação ajuda na prevenção.
Embora o auto-exame seja também uma forma, ainda que não completa, de diagnosticar o câncer, o Inca tem sérias restrições quanto a isso. O instituto informa que o procedimento é uma forma de conhecer o corpo, mas que pesquisas apontam que ele sozinho não é capaz de detectar precocemente a doença nem reduzir o índice de mortalidade, conforme já citado anteriormente. Acima disso, revela efeitos negativos, como aumento de biópsias de lesões benignas e falsa firmeza sobre exames, que na verdade, são positivos mas que se figuraram como negativos ao toque da mulher sobre a mama. Dessa forma, o Inca recomenda que o auto-exame não seja substituído por aquele realizado pelo médico.
Quem quiser saber mais sobre a doença e estar próximo de médicos renomados pode encontrá-los nos próximos dias. Em Porto Alegre, no dia 21, às 8h,ocorrerá o IV Congresso Internacional de Câncer de Mama do Hospital Moinho dos Ventos, no hospital de mesmo nome. Já no Rio de Janeiro, no Hotel Sheraton, no dia 28, haverá o XV Simpósio de Mastologia, com a presença de Pasqualette e outros profissionais.
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Muito boa essa matéria.
Ana Bezerra
18 de maio de 2011 at 23:14